A discussão sobre o que a Bíblia fala sobre feitiçaria acompanha a história do cristianismo desde seus primeiros séculos. Em diversas culturas, práticas espirituais sempre despertaram curiosidade, temor, fascínio e, em alguns momentos, conflito cultural e religioso.
Para leitores cristãos, compreender o tema exige ir além de opiniões populares: é necessário analisar termos bíblicos originais, contextos históricos, interpretações teológicas, além de entender como o assunto se relaciona—ou não—com práticas espirituais modernas, como umbanda, candomblé, macumba e outras expressões religiosas.
Neste artigo detalhado, exploramos cuidadosamente o tema, seguindo a estrutura proposta e apresentando um estudo claro, profundo e bem embasado.
O que a Bíblia fala sobre feitiçaria?
Para entender o que a Bíblia fala sobre feitiçaria, é preciso começar pelos termos originais. No Antigo Testamento, escrito principalmente em hebraico, aparecem palavras como:
Kasháf: geralmente traduzida como feitiçaria ou bruxaria.
Anan: relacionada à adivinhação e presságios.
Ob / ov: termo ligado a médiuns ou pessoas que consultavam espíritos (necromancia).
Yiddeoni: “adivinhador”, médium ou espírito-guia.
No Novo Testamento, escrito em grego, aparece o termo:
Pharmakeia: traduzido como feitiçaria, ligado também a práticas ritualísticas, ocultismo, manipulação espiritual e, em certos contextos, uso de substâncias associadas a ritos pagãos.
A Bíblia apresenta a feitiçaria como uma prática espiritual que busca acessar, manipular ou interferir em realidades espirituais sem a mediação de Deus. Ela não descreve “magia de fantasia”, mas sim práticas religiosas ou espirituais comuns em culturas antigas como cananeus, egípcios, babilônios, gregos e romanos.
O foco da Bíblia não é a técnica usada, mas a intenção espiritual: dependência de forças espirituais externas ao Deus bíblico.
Assim, feitiçaria, adivinhação, necromancia, magia ritual, idolatria e consulta aos mortos aparecem como conceitos relacionados.
Onde a Bíblia condena a feitiçaria?
Se a pergunta é onde está escrito na Bíblia sobre feitiçaria, há diversos textos fundamentais. A seguir, exploramos alguns dos mais citados, explicando seu contexto.
Êxodo 22:18 — “Não deixarás viver a feiticeira”
Esse texto é frequentemente mal compreendido. No contexto da lei mosaica, a palavra “feiticeira” se refere a pessoas que usavam práticas espirituais para manipular forças contrárias à fé israelita, muitas vezes ligadas a rituais pagãos de morte, sacrifícios e consulta aos mortos.
Deuteronômio 18:9–14
Aqui aparece uma lista explícita de práticas consideradas proibidas:
- adivinhação
- presságios
- feitiçaria
- bruxaria
- necromancia
- consulta aos mortos
- encantamentos
A razão é claramente apresentada: “Por causa dessas abominações o Senhor expulsou aquelas nações”.
O problema principal não é apenas moral, mas teológico: essas práticas simbolizavam submissão a deuses estrangeiros e forças espirituais contrárias ao Deus de Israel.
Gálatas 5:19–21
No Novo Testamento, Paulo lista “feitiçaria” entre as “obras da carne”, ou seja, práticas que se opõem ao Espírito Santo.
O termo grego pharmakeia inclui feitiçaria, manipulação espiritual e rituais pagãos.
Apocalipse 21:8
Entre aqueles que rejeitam a presença de Deus no fim dos tempos, aparecem os feiticeiros.
O termo está associado a idolatria, ocultismo e rebelião espiritual.
A história da feiticeira de En-Dor
A pergunta onde na Bíblia fala que Saul consulta uma feiticeira? é respondida em 1 Samuel 28.
Nesse episódio, Saul, desesperado diante da guerra, consulta uma mulher que tinha um “espírito de necromancia”, conhecida como feiticeira de En-Dor.
Trata-se de um dos textos mais discutidos da Bíblia, pois envolve:
- consulta aos mortos
- desobediência explícita à lei de Deus
- rejeição à orientação profética
O episódio mostra que o problema central não era a técnica da mulher, mas a rebelião espiritual de Saul, que buscava respostas onde Deus havia proibido.
O que Jesus fala sobre feitiçaria?
Embora Jesus não use o termo “feiticeiro” em suas falas, Ele aborda vários temas relacionados:
Engano espiritual: alerta sobre falsos mestres e falsas práticas.
Autoridade sobre demônios: demonstra que Seu poder é superior a qualquer força espiritual.
Pureza espiritual: enfatiza que a relação com Deus deve ser direta e sem mediações contrárias à vontade divina.
Assim, a visão de Jesus está alinhada à tradição hebraica: dependência exclusiva de Deus.
Feitiçaria, bruxaria e magia: há diferenças?
Muitas pessoas perguntam: qual é a diferença entre uma bruxa e uma feiticeira?
Culturalmente, há distinções, mas, biblicamente, os termos se sobrepõem.
Na cultura ocidental:
- Bruxa: ligada ao folclore europeu, ervas, poções e divinação.
- Feiticeira: termo mais amplo, relacionado a encantamentos e rituais espirituais.
Na Bíblia:
As traduções “bruxa”, “mágico”, “adivinhador” e “feiticeiro” se referem a qualquer pessoa que acessava forças espirituais fora de Deus.
O que é considerado feitiçaria na Bíblia?
- consulta aos mortos
- invocação de espíritos
- rituais mágicos
- idolatria ritualística
- manipulação espiritual
- encantamentos
- necromancia
Assim, quando perguntamos o que a Bíblia fala sobre feitiçaria, percebemos que o foco está no tipo de vínculo espiritual que a pessoa estabelece.
O que a Bíblia diz sobre macumba, umbanda e candomblé?
Uma pergunta comum é: o que a Bíblia diz sobre macumba e feitiçaria?
É essencial esclarecer: a Bíblia não menciona macumba, umbanda ou candomblé. Essas religiões surgiram séculos depois, em outro continente e outro contexto cultural.
Então por que muitos cristãos relacionam esses termos?
Porque a Bíblia condena práticas como:
- invocações espirituais
- rituais que envolvem entidades
- adivinhação
- mediação espiritual por espíritos
E algumas dessas práticas podem existir em determinadas vertentes das religiões afro-brasileiras.
O que a Bíblia fala sobre entidades?
A Bíblia não usa o termo “entidade”. Ela fala de:
- anjos
- demônios
- espíritos
- principados
- potestades
Esses conceitos pertencem à cosmologia judaico-cristã e não equivalem diretamente a orixás, guias espirituais ou entidades da umbanda.
Quem é Exu na Bíblia?
Exu não aparece na Bíblia.
Ele pertence às tradições religiosas iorubás e não faz parte da narrativa hebraica ou cristã.
Candomblé acredita em Deus e Jesus?
Algumas vertentes do Candomblé reconhecem um Deus supremo (Olodumare), mas não o mesmo Deus da Bíblia.
Sobre Jesus, Ele pode ser visto como um espírito elevado, mas não como Filho de Deus ou Salvador, como no cristianismo.
A feitiçaria como pecado: por quê?
A pergunta qual é o pecado da feitiçaria? é central para entender a visão bíblica.
Para a Bíblia, a feitiçaria é pecado porque envolve:
- dependência espiritual fora de Deus
- aliança com forças espirituais contrárias ao Senhor
- ruptura da fidelidade espiritual
O que a feitiçaria faz?
Segundo a visão bíblica, ela:
- desvia o coração humano
- abre portas para enganos espirituais
- cria vínculos espirituais não desejados
- afasta o indivíduo de Deus
A questão é teológica: a feitiçaria representa um caminho espiritual alternativo ao relacionamento com Deus.
Interpretações de passagens específicas
Apocalipse 17:11
O texto trata da visão de João sobre uma besta simbólica que representa sistemas de poder em oposição a Deus. Não é um texto sobre feitiçaria, mas sobre rebelião espiritual global.
1 João 4:19 — “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”
Esse versículo trata da origem do amor cristão e do relacionamento íntimo com Deus, mostrando que a fé se baseia no amor divino, não em medo, rituais ou barganhas espirituais.
Conclusão
Neste estudo aprofundado, analisamos com clareza o que a Bíblia fala sobre feitiçaria e como o tema se conecta a conceitos como adivinhação, necromancia, idolatria, ocultismo, entidades espirituais e práticas religiosas de outras culturas.
Também esclarecemos o que a Bíblia não menciona, como macumba, umbanda, candomblé e figuras como Exu.
A conclusão bíblica é clara: a feitiçaria representa um caminho espiritual incompatível com a fé em Deus, não por preconceito, mas por princípios centrais como fidelidade, amor e dependência do Criador.

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